Mário
queria obter o máximo de informações para seu trabalho
na Feira de Ciências. Falaria sobre aves, mais especificamente
sobre a inter-relação entre a arara azul e o abutre rei,
e esperava deixar todos da 5ª e 6ª séries boquiabertos
com sua brilhante palestra. Próximo à imensa gaiola onde
estava a arara azul havia muito barulho, e não poderia deixar
de ser, com aquelas crianças todas gritando mais do que hienas
africanas em dias de eclipses solares, tornando impossível a
missão de Mário de pensar e elaborar seu estudo devidamente.
E também com a jaula dos macacos atrás deles... era impossível
mesmo!
O pequeno e astuto Mário resolveu
então esperar todos saírem de lá para poder observar
tranqüilo aquelas soberbas aves. Mas Augusto também ficou,
já com suas premeditadas más intenções.
Esperou todos virarem aquela estreita rua onde estavam as jaulas das
aves e macacos, até saírem de vista, e caminhou até
Mário, que não havia percebido a presença de seu
terrível algoz. Augusto parou ao seu lado, e ficou a observar
as araras. Mário, percebendo alguém ao seu lado, se virou
e logo reconheceu a figura esguia de Augusto. Um frio aterrorizante
percorreu todo seu sistema nervoso, bem como seu sistema linfático.
Mantendo a calma (ou pelo menos forjando uma) Mário sondou o
local à sua volta e viu que só Augusto estava ali. Continuou
então suas comparações e observações,
fazendo intimamente uma fervorosa prece.
Augusto, sabendo que não era qualquer
um que estava ali, mas sim um precoce gênio da ciência,
colocou seu plano em prática, com muito cuidado. Perguntou então
à Mário se ele poderia esclarecer algumas dúvidas
com relação à classe primata. Mário até
que gostou do convite, afinal era um tema que ele sabia muito bem, já
que ficara estudando sobre macacos durante suas férias inteiras.
Aliviado, nem ao menos passou por sua cabeça o receio de estar
palestrando para Augusto, o Terrível!
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