III - Parindo uma idéia insana
Capítulo I

      Mário queria obter o máximo de informações para seu trabalho na Feira de Ciências. Falaria sobre aves, mais especificamente sobre a inter-relação entre a arara azul e o abutre rei, e esperava deixar todos da 5ª e 6ª séries boquiabertos com sua brilhante palestra. Próximo à imensa gaiola onde estava a arara azul havia muito barulho, e não poderia deixar de ser, com aquelas crianças todas gritando mais do que hienas africanas em dias de eclipses solares, tornando impossível a missão de Mário de pensar e elaborar seu estudo devidamente. E também com a jaula dos macacos atrás deles... era impossível mesmo!
     O pequeno e astuto Mário resolveu então esperar todos saírem de lá para poder observar tranqüilo aquelas soberbas aves. Mas Augusto também ficou, já com suas premeditadas más intenções. Esperou todos virarem aquela estreita rua onde estavam as jaulas das aves e macacos, até saírem de vista, e caminhou até Mário, que não havia percebido a presença de seu terrível algoz. Augusto parou ao seu lado, e ficou a observar as araras. Mário, percebendo alguém ao seu lado, se virou e logo reconheceu a figura esguia de Augusto. Um frio aterrorizante percorreu todo seu sistema nervoso, bem como seu sistema linfático. Mantendo a calma (ou pelo menos forjando uma) Mário sondou o local à sua volta e viu que só Augusto estava ali. Continuou então suas comparações e observações, fazendo intimamente uma fervorosa prece.
     Augusto, sabendo que não era qualquer um que estava ali, mas sim um precoce gênio da ciência, colocou seu plano em prática, com muito cuidado. Perguntou então à Mário se ele poderia esclarecer algumas dúvidas com relação à classe primata. Mário até que gostou do convite, afinal era um tema que ele sabia muito bem, já que ficara estudando sobre macacos durante suas férias inteiras. Aliviado, nem ao menos passou por sua cabeça o receio de estar palestrando para Augusto, o Terrível!

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