III - Parindo uma idéia insana
Capítulo III

      Que isso tivesse sido feito por um humano, vá lá. Mas tomar uma pedrada de um primata, isso já era demais, mesmo para o sereno e pacífico Mário. Enfiou célere a mão no bolso e pegou um estilingue calibre 34, projetado por ele mesmo, um estilingue mortal, que havia usado uma única vez, numa situação de vida ou morte, em que um rato de laboratório insistira em roer o dedo mindinho de seu pé esquerdo, cuja pele macia e sedosa era freqüentemente tratada com um raríssimo óleo de amêndoas secas.
     Augusto não acreditava no que seus olhos avermelhados estavam presenciando. Mário ali, tão bem armado, um CDF, e ele, com a mente de um monstro paraplégico, sem nada destruidor nas mãos. Não deixou que esses pensamentos corressem durante muito tempo seu córtex cerebral, e logo passou à ação.
     Primeiro, com a sua já mencionada destreza, roubou o estilingue das mãos incautas de Mário, que ficou pasmo e sem reação. Começou então a ameaçá-lo com o estilingue e fez com que ele entrasse na jaula dos macacos, mas não sem antes obrigá-lo a tirar sua calça tão bem engomada pela idosa avó.
     Quando Mário entrou lá, devagar e penosamente, Augusto fechou a jaula com o cadeado, e isso era tudo que se soube do que aconteceu naquela tarde infame, pois Augusto não agüentara, mesmo com toda sua maldade no coração, ficar lá e presenciar o desenrolar dos acontecimentos
, já que os macacos estavam mais que enfurecidos com o pequeno intruso de grandes óculos.

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