Que
isso tivesse sido feito por um humano, vá lá. Mas tomar
uma pedrada de um primata, isso já era demais, mesmo para o sereno
e pacífico Mário. Enfiou célere a mão no
bolso e pegou um estilingue calibre 34, projetado por ele mesmo, um
estilingue mortal, que havia usado uma única vez, numa situação
de vida ou morte, em que um rato de laboratório insistira em
roer o dedo mindinho de seu pé esquerdo, cuja pele macia e sedosa
era freqüentemente tratada com um raríssimo óleo
de amêndoas secas.
Augusto não acreditava no que seus
olhos avermelhados estavam presenciando. Mário ali, tão
bem armado, um CDF, e ele, com a mente de um monstro paraplégico,
sem nada destruidor nas mãos. Não deixou que esses pensamentos
corressem durante muito tempo seu córtex cerebral, e logo passou
à ação.
Primeiro, com a sua já mencionada
destreza, roubou o estilingue das mãos incautas de Mário,
que ficou pasmo e sem reação. Começou então
a ameaçá-lo com o estilingue e fez com que ele entrasse
na jaula dos macacos, mas não sem antes obrigá-lo a tirar
sua calça tão bem engomada pela idosa avó.
Quando Mário entrou lá,
devagar e penosamente, Augusto fechou a jaula com o cadeado, e isso
era tudo que se soube do que aconteceu naquela tarde infame, pois Augusto
não agüentara, mesmo com toda sua maldade no coração,
ficar lá e presenciar o desenrolar dos acontecimentos,
já que os macacos estavam mais que enfurecidos com o pequeno
intruso de grandes óculos.
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